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sábado, 3 de outubro de 2015

Realidade - Linguagem - Problema dos Universais

Muitas questões tem sido colocadas a propósito das relações da linguagem com a realidade.

Um dos problemas centrais trata-se da natureza ontológica dos universais, também designados por noções genéricas, ideias, entidades ou conceitos.

Será que as palavras ou as ideias têm valor ontológico, ou têm apenas um valor semântico?

Um conceito ou ideia traduz a essência comum a todos os seres da mesma espécie ou é apenas uma palavra?

Estas e outras questões apaixonaram os homens medievais, originando três correntes fundamentais:

  • os conceptualistas, os nominalistas e os realista;
  • os conceitualistas afirmavam que os conceitos universais apenas existem na nossa cabeça, são ideias abstratas. Não são meros nomes, nem algo concreto; 
  • os nominalistas afirmam que os universais são simples palavras, meros símbolos convencionais que usamos para designar grupos de seres. As únicas coisas que existem são individuais, os nomes são abstrações; e
  • os realistas afirmam, pelo contrário que os universais são entidades eternas, imutáveis e inteligíveis como as ideias de Platão.

Realidade - Modelo - Visão Filosófica

Uma das formas tradicionais de encarar a realidade é vê-la como o resultado de um processo de abstração (modelo).

Podemos distinguir os seguintes tipos de Modelos:

  • Modelo como experiência direta das coisas na sua singularidade (Imagens): cada coisa da realidade é única e irrepetível nas suas propriedades;
  • Modelo como uma nomeação das coisas (Termos): ao nos referimos as coisas da realidade utilizamos os termos representando conceitos que nos são dados pela linguagem que usamos. Estes conceitos são o produto de um processo de abstração, através da qual determinamos o que há de essencial em elementos/fenômenos de uma mesma espécie;
  • Modelo como estudo científico das coisas (Teorias): cada ciência nos dá uma visão própria da realidade, não a realidade como ela é, mas sim como é vista ou construída numa dada comunidade científica. Estamos perante um processo de abstração mais elevado que aquele que encontramos na linguagem corrente; e
  • Modelo como um produto da metafísica: na filosofia construiu-se o processo mais abstrato de estudar a realidade, trata-se da metafísica. A realidade é encarada como um Todo, para além de todas as determinações. A metafísica pode dividida em duas disciplinas filosóficas fundamentais: Cosmologia: Estuda o mundo, abstraindo-se do fato dos seres serem ou não vivos. Ontologia: Trata do "ser enquanto ser".


Realidade - Visão Filosófica - Tipos de Realidade

A distinção entre realidade e aparência sempre foi um dos problemas centrais da filosofia. Foi colocada pela primeira vez por Parmênides, no século VI a.C.

Entende-se por realidade tudo aquilo que existe ou é, por oposição aquilo que designamos por nada, aparência, ilusão, desejo, projeto.

A questão - o que é a realidade?, tem originado diversas correntes filosóficas, cada uma traduzindo uma concepção da mesma.


  • Realidade Sensorial: O homem comum tende a associar a realidade com aquilo que pode ser empiricamente observado. A realidade existe independentemente da consciência dos indivíduos. Basta olhá-la para a descobrir e captar na sua totalidade. A realidade é assim algo que existe independente da consciência dos indivíduos. Esta posição traduz-se na crença que só as coisas observáveis são reais. Neste sentido, tudo o que não pode ser captado através dos sentidos tende a ser negado, ou é tratado como um produto da imaginação.
  • Realidade Científica: A ciência propicia uma visão objetiva da realidade. Para isso o cientista utiliza método e ferramentas apropriados ao seu objeto de estudo. Seleciona "fatos" e "acontecimentos", e interpreta-os de acordo com um dada teoria (modelo). A realidade para a ciência é assim uma construção, nunca é algo dado. Mas esta realidade é real? A questão prende-se com o conceito de objetividade e de realidade com que trabalham os o cientistas. É real tudo aquilo que pode ser observado por mais do que uma pessoa, e pode ser portanto objeto de um consenso de percepção e em especial pode ser provada (ou refutada) experimentalmente. Se seguirmos os procedimentos adotados, em princípio, chegaremos todos à mesma visão da realidade. A legitimidade destas visões duram enquanto durar o acordo com os resultados das observações e das experiências. Nada na ciência é eterno, todas as explicações são válidas até serem refutadas.
  • Realidade Ideal: A realidade não se confunde com as imagens efêmeras das coisas que percebemos por meio dos sentidos. A verdadeira realidade é a da ordem das ideias. Só nestas poderemos encontrar algo imutável e eterno. A verdadeira realidade está nos próprios indivíduos e não nas coisas. Parmênides e depois Platão de forma sistemática, sustentaram esta concepção do real. Outros filósofos desenvolveram concepções idênticas. Berkeley, no século XVII, sustentou que a única realidade que existia era a das nossas percepções.

Complexidade Crescente do Mundo dos Negócios

O crescente aumento da complexidade dos negócios, principalmente em decorrência do processo de globalização e da velocidade das inovações tecnológicas, tem apontado outros caminhos para as empresas conquistarem espaço no mercado e no imaginário dos consumidores, cada vez mais conectados à Internet, mais ativos e exigentes nas interações com as organizações.

Os desafios decorrentes destas mudanças e transformações ambientais podem afetar as organizações de diversas formas, exigindo de seus gerentes decisões a cada instante buscando sua sobrevivência e crescimento:

  • globalização da economia e mercados,
  • internacionalização de empresas,
  • avanços na tecnologia da informação,
  • necessidade crescente de satisfação dos clientes, e o
  • acirramento da concorrência empresarial, são alguns dos fatores que tendem a desafiar constantemente as organizações.

Realidade

Realidade (do latim realitas isto é, "coisa") significa, para o senso comum, "tudo o que existe" e pode ser observado.


A visão que temos da realidade a nossa volta, nada mais é do que uma representação pessoal (subjetiva) e única da mesma. A mente faz uma representação (modelo) da realidade (como num desenho), que não é a realidade em si (o objeto desenhado). É uma metáfora (modelo) do que acontece entre nossa mente e a realidade. Essa representação (modelo) é construída por nossas experiências e pelas avaliações que fazemos delas. É composta pelo conjunto de nossas crenças. Algo que você acredita sem contestar.

Segundo o Dr. Beyerstein, B. L., a realidade nada mais é do que um rico modelo mental do mundo externo criado pelo cérebro.


Nós percebemos o mundo dentro de nós. Os nossos cinco sentidos recebem certo estímulo externo e o transferem ao cérebro, onde ele é processado, formando a nossa imagem do mundo (modelo); nós não percebemos nada fora desse quadro. O mundo "que conhecemos" é o resultado de nossas reações às influências externas. O mundo "em si" é desconhecido. Nós só percebemos dentro da escala à qual estamos sintonizados. A nossa percepção do mundo é completamente subjetiva. Nós compreendemos nossas próprias reações a algo supostamente manifestado fora de nós, mas será que alguma coisa realmente acontece lá fora?



“Como podemos ter certeza de que o Universo à nossa volta realmente existe? E como nós podemos saber que o mundo que vemos corresponde ao que qualquer outra pessoa vê?”. A questão é que nossos sentidos e, consequentemente, nossas percepções, são falhos. O que você vê é, na verdade, um produto criado por seu cérebro, que filtra infinitas informações, a todo momento, para que você construa uma visão de mundo útil. Esse tipo de filtro é importante para que consigamos selecionar todas as informações de que dispomos e possamos nos ater ao que é mais importante.

Chega-se enfim a grande questão: "No coração da realidade não existe uma resposta e sim uma pergunta - Porque existe alguma coisa ao invés de nada ?" [John Horgan]

Realidade como conjunto de fenômenos (elementos)

A realidade - segundo a abordagem Fenomenalista - é algo que é percebido e abstraído como um conjunto de coisas (fenômenos), onde o que se percebe são os estados dos fenômenos que a constituem, tudo o mais são meramente abstrações (idéias, conceitos) construídas a partir da observação desses estados das coisas (fenômenos, elementos) da realidade.

Buscamos entendimento sobre estes fenômenos para podermos sobreviver. Fazemos isso procurando classificá-los segundo suas características, medindo os valores dessas características, visualizando-os segundo diferentes aspectos (domínios, dimensões, níveis) criados por nossa mente.

O cérebro humano capta inúmeras imagens da realidade, interpreta-as e, por meio delas, "cria a sua própria realidade". Assim sendo, elementos não sujeitos as leis do espaço e do tempo - conceitos que constituem modelos - são integrados aos elementos da realidade em nossas mentes.




Pode-se, então, definir a realidade como sendo composta de fenômenos(elementos) que se especializam em objetos (entidades) e interações (relacionamentos) envolvendo estes objetos. As interações emergem (surgem) dos objetos elas não existem sem os objetos que a constituem.



Este modelo pode ser estendido com o acréscimo de outros tipos de fenômeno: as mudanças e as transformações. A figura abaixo mostra estes novos elementos elementos destacando que as mudanças emergem das interações e as transformações emergem das mudanças.

Adicionalmente destaca que objetos e interações são elementos estruturais (formam a estrutura) da realidade e que as mudanças e transformações são os elementos comportamentais (formam o comportamento) da realidade.



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Realidade e Complexidade



O que é a realidade? Provavelmente nunca encontremos resposta para essa pergunta. A realidade não é apenas aquilo que percebemos por nossos sentidos e inferimos por meio de nossa razão. Existem aspectos que ficarão ocultos para todo o sempre.

A realidade segundo Capra é uma rede interações. Na mecânica clássica para entender um sistema complexo basta decompô-lo em pedaços menores e assim sucessivamente, até que dominemos as propriedades fundamentais dos seus blocos de construção (elementos, substâncias, partículas, ...).

Num sistema complexo a dinâmica do todo pode ser entendida a partir das propriedades fundamentais e dos mecanismos de interação das partes. A relação entre o todo e a parte é mais simétrica. As propriedades das partes só podem ser plenamente entendidas a partir da dinâmica do todo.

O todo é a coisa (fenômeno) fundamental, e uma vez entendida a sua dinâmica, pode-se então inferir as propriedades e os padrões de interação entre as partes. Na mecânica quântica a noção de parte (átomos, partículas, ...) não pode mais ser usada, no sentido clássico. As partes não podem mais ser bem definidas, elas mostram propriedades diferentes, dependendo do contexto experimental (todo).

A natureza, no nível atômico, não se apresenta como um universo mecânico composto de blocos de construção fundamentais, mas sim como uma rede de relações, e que em última instância, não há quaisquer partes nessa teia de interconexões. O que quer que chamemos de parte (objeto) é meramente um padrão que possui alguma estabilidade perante nossos limitados sentidos humanos e que capta a nossa atenção.

A consciência da unidade e da inter-relação mútua de todas as coisas e eventos (fenômenos) como manifestações de uma unidade básica, onde tudo é interdependente, inseparável, onde tudo é percebido como padrões transitórios (mudanças) de uma mesma realidade última, constitui a essência desse novo paradigma.

O paradigma mecanicista clássico prega a existência de estruturas fundamentais (objetos) as quais, como consequência, originam forças e mecanismos por cujo intermédio interagem (interações), dando origem a processos. No novo paradigma o processo é que é fundamental sendo que cada estrutura observada é meramente uma manifestação de um processo (transformação) subjacente.

Na Teoria de Relatividade a massa é uma forma (manifestação) de energia eliminando da ciência o conceito de substância material, e com ele também o de estrutura fundamental. Na Teoria Quântica as partículas subatômicas não são feitas de qualquer estofo material, são padrões de energia. A energia está associada com atividades, processos, implicando na natureza intrinsecamente dinâmica das partículas sub-atômicas. Ao observarmos partículas subatômicas nunca vemos qualquer substância ou qualquer estrutura fundamental, o que observamos são padrões dinâmicos, transformando-se continuamente uns nos outros – uma dança contínua de energia.  A realidade é concebida em termos de movimento, fluxo, mudança, onde todas as formas são continuamente criadas e dissolvidas.

A imagem do universo como uma máquina é substituída pela de um todo interconectado, dinâmico, cujas partes são essencialmente interdependentes e devem ser entendidas como padrões de um processo cósmico, observados pelas limitações de nossos sentidos.

A fim de definir um objeto nessa teia de relações, abrimos caminho através de algumas dessas interconexões – conceitualmente, e também fisicamente, com os nossos instrumentos de observações -, e assim fazendo, isolamos certos padrões e os interpretamos como objetos. Diferentes observadores podem fazê-lo de diferentes modos. O que você vê depende da forma como você observa. (Um elétron pode ser observado como uma onda ou como uma partícula).

No paradigma mecanicista clássico existe a crença na metáfora do conhecimento como uma hierarquia. Leis fundamentais como a base do edifício do conhecimento. O conhecimento tem de ser construído sobre fundações sólidas e firmes. Há blocos de construção básicas da matéria; há equações fundamentais, constantes fundamentais, princípios fundamentais.

No novo paradigma as fundações do conhecimento científico, nem sempre permanecem sólidas, elas podem se alterar repetidamente, se movimentar, ou mesmo desmoronar. Nele acontece a substituição da metáfora da hierarquia pela de rede. Assim como vemos a realidade ao nosso redor como uma rede de relações, também nossas descrições – conceitos, modelos e teorias – formam uma rede interconexa, representando os fenômenos observados. Nessa rede não haverá nada primário ou secundário, nem quaisquer alicerces.

Na teoria “bootstrap” das partículas [Geoffrey Chew] o universo material é uma teia dinâmica de eventos inter-relacionados. Nenhuma das propriedades de qualquer parte dessa teia é fundamental; todas resultam das propriedades das outras partes, e a consistência global de suas inter-relações determina a estrutura e o comportamento de toda a teia.

A redução da natureza a fundamentos surgiu na filosofia grega juntamente com o dualismo entre espírito e matéria. A realidade é vista como uma rede dinâmica interconexa de relações que inclui o observador humano como um componente integrante. Quaisquer das partes dessa rede constituem apenas padrões relativamente estáveis. De maneira correspondente, os fenômenos da realidade são descritos em termos de uma rede de conceitos, modelos e teorias, onde nenhuma parte é mais fundamental do que qualquer outra.

Se tudo está conectado, como podemos entender qualquer coisa? Para explicarmos qualquer fenômeno precisamos entender todos os outros? Isso não é impossível?

O que torna possível transformar a filosofia de rede em uma teoria científica é o fato de haver conhecimento aproximado. Se nos satisfizermos com um entendimento aproximado da natureza, podemos descrever dessa maneira grupos selecionados de fenômenos, desprezando outros menos relevantes. Assim é possível explicar muitos fenômenos em termos de alguns poucos, e consequentemente entender diferentes aspectos da realidade de um modo aproximado, sem ter que compreender tudo de uma vez só.

O paradigma mecanicista clássico baseia-se na crença da certeza do conhecimento científico. No novo paradigma todos os conceitos, modelos e teorias científicas são limitados e aproximados. A ciência nunca poderá proporcionar um entendimento completo e definitivo. Os cientistas não lidam com verdades absolutas, lidam com descrições limitadas e aproximadas da realidade. “A ciência avança mediante respostas provisórias a uma série de questões cada vez mais sutis, que vão cada vez mais fundo na essência dos fenômenos naturais”. [Louis Pasteur].

Nenhum fenômeno isolado da realidade pode ser plenamente explicado, mas podem ser experimentados em nossa limitada totalidade.

No paradigma mecanicista clássico: Francis Bacon, no século XVII, afirmava que a natureza (realidade) tinha que ser “acossada em suas vadiagens”, “sujeitada a prestar serviços” e “tornada uma escrava”, “ela deve ser coagida” e “o objetivo do cientista é arrancar da natureza, sob tortura, todos os seus segredos”. 

Tudo isso representa um vínculo crucial entre a ciência mecanicista e os valores patriarcais, que exerceu um tremendo impacto nos desenvolvimentos ulteriores da ciência e da tecnologia.

Novo paradigma, a sabedoria, compreensão da ordem natural e da vida em harmonia com ela, da intenção em dominar e controlar a realidade para uma atitude de cooperação. “Aqueles que seguem a ordem natural fluem na corrente do TAO”. [Capra]